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Cápsula permite diagnóstico preciso de doenças intestinais

Devido à estrutura do intestino delgado e sua localização, entre o estômago e o intestino grosso, a detecção de enfermidades nesse segmento do trato digestivo – que compreende desde a boca até o ânus – sempre foi mais complicada, mesmo com a utilização da endoscopia e da colonoscopia, dois métodos tradicionais de diagnóstico. Com o surgimento da cápsula endoscópica, que ao ser ingerida fotografa o aparelho digestivo e envia as imagens para um computador, essa parte do intestino, antes considerada ‘área cega’, pode ser examinada com mais precisão. O equipamento, lançado há três anos no Brasil, é considerado por especialistas como uma das mais importantes descobertas da Medicina neste início de século. A cápsula é do tamanho de um comprimido (mede 11mm x 26mm e pesa 4g), e tem um sistema minúsculo de lentes, videocâmara, baterias e antena. Durante o trajeto pelo tubo digestivo, que dura sete horas, faz duas fotografias por segundo, o que corresponde a aproximadamente 55 mil imagens. ‘‘Com o equipamento podemos visualizar cerca de seis metros do intestino fino, o que antes era impossível’’, afirma o gastroenterologista Renê Francisco Russo, da Clínica Ana Rosa, única unidade hospitalar do Grande ABC a oferecer o exame. As imagens são captadas via radiofreqüência por sensores acoplados ao abdômen do paciente e as informações são armazenadas em um aparelho do tamanho de um walkman, preso à cintura da pessoa. Depois, as imagens são transferidas para um computador, onde são analisadas pelo médico. Quando uma lesão é detectada, o aparelho identifica o local exato onde a cápsula se encontra. O equipamento foi desenvolvido de 1992 a 2000 pelo engenheiro mecânico do Ministério da Defesa de Israel Gavriel Iddan, em parceria com o gastroenterologista Eytan Scapa, da Escola de Medicina de Harvard. Uma das vantagens do novo método é evitar o desconforto e a dor causados por procedimentos invasivos, como a endoscopia, que consiste na inserção de uma sonda pela boca, e a colonoscopia, que exige lavagem intestinal e a introdução de sonda pelo reto. O exame dispensa o uso de medicamentos de contraste ou sedativos e, como preparação, é necessário apenas jejum pelo período de seis horas. Revestida com material biocompatível com o organismo, a cápsula não provoca rejeição e, por ser descartável, é eliminada na evacuação. O gastroenterologista Ronaldo Barbosa Oliveira afirma que, apesar de revolucionária, a nova técnica não substitui os métodos existentes. ‘‘É um exame que possibilita visualizar melhor o intestino fino. A colonoscopia, por exemplo, vê todo o intestino grosso’’, explica. A cápsula tem se mostrado eficaz para detectar casos de hemorragias digestivas ocultas e diagnosticar inúmeras doenças do intestino delgado, como a Doença de Crohn, a doença celíaca, tumores benignos e malignos ainda em estágio inicial, entre outras aplicações. A disseminação do exame esbarra no alto custo, em torno de R$ 3,5 mil, e o procedimento não tem cobertura por parte dos convênios médicos. Doença de Crohn pode ser controlada Enfermidade crônica que afeta predominantemente a parte inferior do intestino delgado (íleo) e grosso (cólon), desencadeando processos inflamatórios, a Doença de Crohn é freqüentemente confundida com outras moléstias, como retocolite ulcerativa e síndrome do intestino irritável, cujos sintomas são similares – cólicas abdominais, diarréia e febre. Segundo o gastroenterologista Ronaldo Oliveira, a doença geralmente se manifesta em pessoas entre 15 e 35 anos de idade. As causas ainda estão sendo investigadas, mas os médicos acreditam que estejam ligadas a fatores ambientais, alimentares, imunológicos, genéticos e até mesmo raciais. A tensão emocional também é um fator determinante na evolução da doença. Os especialistas afirmam que, embora seja uma enfermidade crônica, a doença pode ser controlada. ‘‘O tratamento é feito com a associação de dieta e medicamentos’’, explicam. Em alguns casos os sintomas vêm associados a artrites e, durante a fase mais aguda, a ulcerações na boca, semelhantes às aftas. Geralmente a doença causa inflamação no intestino delgado, mas pode afetar qualquer parte do trato digestivo, da boca ao ânus, e até levar a uma cirurgia.

Fonte: http://www.dgabc.com.br

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